Ainda que confrontada com a imediatez do tempo e absorvida pelo impacto da internet, assumo as cartas como as representações mais autênticas dos laços que se tecem e nos revelam como seres sociais. Cartas que trazem um leque infindável de emoções, que testemunham encontros, que relatam segredos, lugares reais das relações, nos diversos trajectos e desvios das narrativas.

 

Nesta mostra, entre desenhos de envelopes que pontuaram a vida de várias pessoas de Ovar e de outros lugares, expus também alguns exemplares do escritor. As imagens que se seguem documentam a instalação de duas cartas e de um Manuscrito, cuidadosamente cosidos em papel. Uma forma de homenagear o lugar da escrita, devolvendo-lhe especial atenção à pequena secretária na qual Júlio Dinis redigiu diariamente várias cartas e os seus livros, durante a sua estadia em casa da tia.

 

Trata-se de um conjunto de desenhos que confrontam momentos distintos e que vencem o tempo.

 

É a inevitabilidade desta deriva, que nos impele a comunicar continuamente, uns com os outros e a perpetuar o fascínio pela literatura em cumplicidade com a própria Casa Museu de Júlio Dinis.

 

[1] p.150 , Lisboa: Editora Passagens, 2006. 

Em casa de Júlio Dinis Júlio Dinis home

“A carta faz o escritor 'presente' àquele a quem a dirige. E presente não apenas pelas informações que lhe dá acerca da sua vida, das suas atividades, dos seus sucessos e fracassos, das suas venturas ou infortúnios; presente uma espécie de presença imediata e quase física”.

Michel Foucault  in "O que é um autor?"[1]

ALEXANDRA DE PINHO - ARTISTA PLÁSTICA / FINE ARTIST

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